terça-feira, 27 de outubro de 2015

Os perigos da carne processada

CIÊNCIA

Fonte:dw.de

Os perigos da carne processada

Comer bacon, salsicha ou presunto aumenta o risco de câncer, afirma a Organização Mundial da Saúde. Instituição coloca tais produtos na mesma categoria de cigarros e também alerta sobre riscos da carne vermelha.
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Comer carne processada, como presunto, salsicha e bacon, aumenta o risco de câncer, e a carne vermelha também pode desencadear a doença. É o que aponta um relatório da Agência Internacional de Pesquisa para o Câncer (Iarc), da Organização Mundial da Saúde (OMS), divulgado nesta segunda-feira (26/10).
O relatório foi compilado por 22 especialistas de 10 países, que analisaram mais de 800 estudos internacionais sobre carne e câncer. A equipe classificou a carne processada como "cancerígena para humanos", e a carne vermelha como "provavelmente cancerígena para os humanos".
A análise revelou que havia "evidencias suficientes nos humanos de que o consumo de carne processada provoca câncer colorretal", informou a agência com sede em Lyon, na França. Entre as carnes desse tipo estão salsichas, carne enlatada, carne seca, molhos à base de carne, entre outros.
Assim, a carne processada foi listada no grupo 1 da Iarc – categoria que também inclui cigarros, amianto e fumaça de diesel. No entanto, a agência ressaltou que isso não significa que ela seja tão perigosa quanto esses elementos.
"Para uma pessoa, o risco de contrair câncer ao comer carne processada continua sendo pequeno, mas ele aumenta de acordo com a quantidade de carne consumida", disse Kurt Straif, da Iarc. Cada porção de 50 gramas de carne processada consumida diariamente aumenta em 18% o risco de câncer colorretal, segundo a agência.
"Tendo em vista o grande número de pessoas que consomem carne processada, o impacto global sobre a incidência de câncer é importante para a saúde pública", disse Straif.
Tim Key, professor da Universidade de Oxford, afirma que a possível ligação entre carne vermelha e processada e câncer é conhecida há algum tempo. "Comer bacon de vez em quando não vai causar muitos danos – uma dieta saudável tem a ver com moderação", pondera.
A Iarc, no entanto, afirma que conselhos do tipo costumam ter como foco doenças cardíacas e obesidade. A agência cita estimativas do projeto internacional Global Burden of Disease, segundo as quais a cada ano 34 mil mortes por câncer ocorrem devido a dietas ricas em carne processada. Em comparação, cerca de 1 milhão de mortes por câncer ao ano são atribuídas ao tabaco, e outras 600 mil ao consumo de álcool.
A carne pode ser processada de várias formas, através da salga, cura, fermentação ou defumação, mas a agência não constatou se o método de processamento afeta ou não o risco de câncer.
Quanto à carne vermelha, a análise constatou "evidências fortes dos efeitos cancerígenos" do consumo do alimento – principalmente no desenvolvimento de câncer de cólon e de reto, mas também no de pâncreas e próstata. A categoria inclui carne bovina, de porco, cordeiro, carneiro, cavalo e cabra.
Grupos da indústria da carne criticaram o resultado, argumentando que o câncer não é causado por alimentos específicos, mas por vários fatores.
Há algum tempo médicos e agências governamentais vêm alertando que uma dieta com muita carne vermelha está associada ao câncer, incluindo o de cólon e no pâncreas.
A carne vermelha é provavelmente cancerígena para os humanos
OMS: A carne vermelha é "provavelmente cancerígena para os humanos"
Carne vermelha
Não está claro ainda em que medida a carne vermelha pode aumentar o risco de câncer, mas um grupo de pesquisadores da Universidade da Califórnia, nos Estados Unidos, tem uma hipótese.
Eles acreditam que o ácido siálico Neu5Gc, uma molécula de açúcar presente na carne vermelha, estimule um processo inflamatório no organismo, que predispõe ao desenvolvimento do câncer.
O Neu5Gc é encontrado naturalmente na maioria dos mamíferos, mas não nos seres humanos. O consumo persistente de carne vermelha levaria a uma inflamação crônica – que, como já se sabe, pode desencadear tumores – se o sistema imunológico humano estiver constantemente produzindo anticorpos contra o Neu5Gc, uma molécula estranha ao organismo.
Para testar a hipótese, os pesquisadores manipularam ratos de laboratório para que eles imitassem os humanos, ou seja, para que o Neu5Gc fosse uma substância estranha a eles também. Depois, os ratos foram alimentados com Neu5Gc e desenvolveram uma inflamação sistêmica. A formação de tumores quintuplicou e houve acúmulo de Neu5Gc nos tumores.
O teste em humanos é mais complicado, mas a equipe acredita que a descoberta possa ajudar a explicar a conexão entre a carne vermelha e outras doenças agravadas por inflamações crônicas, como aterosclerose e diabetes tipo dois.
AF/ap/afp/rtre

domingo, 25 de outubro de 2015

GOVERNO, PROSTITUTAS, ÉTICA E MORAL



GOVERNO, PROSTITUTAS, ÉTICA E MORAL
Tomislav. R. Femenick (www.tomislav.com.br)

Das muitas aulas que recebi do meu tio Padre Mota – prefeito de Mossoró por quase dez anos, nos anos de 1930 e 1940 –, uma delas foi sobre como administrar os bens a as finanças públicas. Como em tudo, o ex-vigário geral da Diocese se dava ao direito de fazer uso das suas tiradas satíricas de alto nível. Aqui estão minhas anotações, tiradas da fita gravada com a entrevista que fiz na ocasião, entremeada de expressões em latim e italiano:

– “Res publica” é uma expressão que se diz em latim, composta de duas palavras: “res” e “publica”. O substantivo “Res, rei” tem um significado amplo, pois pode ser entendido como coisa, ofício, negócio, governo etc., enquanto a palavra “publica” tanto pode ser um substantivo quanto um adjetivo. Se substantivo “publica, æ” que quer dizer “meretriz”, “prostituta”; se adjetivo de 1ª e 2ª declinação “publicus, publica, publicum” quer dizer “do povo”, pois ela (a palavra publica, do latim moderno) deriva de uma outra, do latim arcaico: “poplicus”, público, sempre dita com relação a “populus”; “povo”. Se assim é, republica é a “coisa do povo”, o “governo do povo”, porém muito fácil de ser deturpado em seu sentido maior, corrompido em sua finalidade, prostituído em seus propósitos. Ora, se os bens e o “danaro” [dinheiro] da Prefeitura eram do povo e não meu, eu tinha que deles cuidar com muito mais zelo do que cuidava dos meus parcos bens e dinheiro. Não queria que, quando eu passasse na rua fosse apontado como o “meretrice della prefettura” [meretriz da Prefeitura], mas sim como o cuidadoso alcaide do Município.
           
Grande Padre Mota. Culto, simples, honesto, bem humorado e acima de tudo um homem de gente e da terra de Santa Luzia de Mossoró.
Mas o mundo anda e eu também fiz as minhas andanças. No início dos anos 1970 deixei a terra natal e fui moram no sul maravilha, em São Paulo. Dois anos depois eu era diretor adjunto do consórcio formado pelas empresas de auditoria Deloitte e Revisora Nacional, quando fui convidado para integrar o staff do banqueiro Aloysio de Andrade Faria, controlador das empresas lideradas pelo Banco Real. Minha primeira tarefa foi instalar e estruturar a gerência de Planejamento e Controle da Produção das empresas seguradoras do grupo. Entre os meus funcionários estava um estudante de economia, ex-controlador de vôos da Aeronáutica e morador em uma cidade próxima à capital paulista. Um dia, quando eu já era diretor adjunto, ele foi a minha sala se despedir, pois estava deixando a companhia para se candidatar a vereador em Campinas. Isso foi na segunda metade dos anos setenta.
            O tempo passou e, alguns anos depois, li nos jornais a notícia de que o meu ex-subordinado tinha sido eleito para a Assembléia Legislativa paulista. Mais algum tempo e leio novamente outra notícia de eleição relacionada com ele; agora tinha sido eleito deputado federal. Durante todo esse tempo não mantivemos nenhum contado. Um dia, já nos anos noventa, quando novamente eu era diretor de empresa de Auditoria, a Soteconti, a secretária anunciou-me que o deputado Manoel Moreira estava na recepção, querendo falar comigo. Foi com alegria que o recebi; não são todos os dias que a gente recebe a visita de um deputado federal e, muito menos, um que já tenha sido nosso funcionário. Foi um conversa amena, sem rumo, apenas troca de recordações de dois antigos colegas de trabalho.
            Meses depois estourou a notícia: Manoel Moreira estava envolvido no escândalo dos “anões do orçamento”, como ficou conhecida uma CPI que investigou congressistas que desviavam recursos do Orçamento Federal. Eles tinham como líder João Alves, aquele deputado baiano que justificativa sua fortuna alegando que era um homem de muita sorte, pois ganhara dezenas de vezes na loteria. A CPI apurou que três emendas apresentadas por Manoel Moreira beneficiaram a construção do prédio do Tribunal do Trabalho em São Paulo (aquele do juiz Lalau) e a construtora OAS, no valor de 100 milhões de dólares. A ex-mulher de Manoel Moreira ajudou nas denúncias e ele não conseguiu explicar a origem de três milhões de dólares, movimentados em suas contas. Para evitar a cassação do seu mandato e a perda dos seus direitos políticos, ele renunciou.
Mas a história não acabou ai. Em 1995, Marinalva Soares da Silva (a ex-mulher do ex-deputado) e seu pai, Marinézio Silva, foram acusados de um golpe de dois milhões de dólares, aplicado contra a Assembléia de Deus. Teriam desviado o dinheiro da igreja para cobrir dívidas da campanha eleitoral de Marinalva, que pretendeu ocupar o lugar do ex-marido na Câmara Federal, porém os votos foram poucos. Em 1998 Manoel foi novamente candidato a deputado estadual, mas não foi eleito. Foi, isso sim, expulso da igreja em que era pastor. Todavia isso ainda não foi o suficiente para afastá-lo da política. Em 1999 lançou Maeli Vergniano como candidata a vereadora da capital, sua ex-assessora quando deputado. Maeli teve seu mandato cassado e seus direitos políticos suspensos por oito anos por enriquecimento ilícito, cobrança de propina, uso ilegal de carro e motorista cedidos por uma empresa contratada pela Prefeitura e por coagir testemunhas e membros da CPI da máfia da propina.
            E por que estou me lembrando de tudo isso? Por causa do relatório do deputado Luiz Sérgio (PT-RJ) na CPI da Petrobras, que absorve todos os políticos envolvidos na roubalheira. Se antes eu me envergonhava pelo simples fato de ter sido chefe de um bom funcionário que se transformou em um ótimo escroque, um indivíduo que se apoderava de recursos públicos por manobras fraudulentas, agora me envergonho dos deputados do meu país. Talvez eu pertença a essa rara espécie animal em extinção, os homens que acham que a honestidade, a ética e a moral são atos de dever e não de obrigação. Acho que as pessoas devem ser honestas, éticas e praticantes da moral não porque sejam obrigadas a isso, mas por convicção. Como se pode fazer uma descarada defesa de ladrões da coisa pública dizendo que há falta de provas quando as provas são abundantes? E desde quando burlar o fisco não é falta de ética? Isso talvez seja uma forma rara de astereognosia moral, a “incapacidade de identificar os fatos como eles realmente são”. O julgamento de nobres senadores e deputados deu-se no âmbito do Congresso, portanto foi um julgamento político, e não no âmbito das cortes judiciárias, quando seria um julgamento criminal.
            Posso até ser tido como bobo, mas continuo sendo um otimista inveterado. A esperança de dias melhores para este país e para nosso povo está arraigada em meu ser. Espero um dia ler a noticia que os parlamentares que absolveram os gatunos não se reelegeram, que as falas da senhora presidente tenham algum sentido, que Lula explique suas intimas relações com a senhora Rosemary Noronha, que todos os partidos estão respeitando e praticando a moral e os bons costumes. Que país maravilhoso este poderia ser. Basta negar votos aos mentirosos, incapazes, espertalhões e ladrões do dinheiro do povo.
            Acredito mais nas lições no Padre Mota do que na desfaçatez descarada do relator da CPI da Petrobras.

terça-feira, 20 de outubro de 2015

ssembleia Legislativa do Rio Grande do Norte | Assessoria de Imprensa
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Assembleia Legislativa presta homenagem ao Dia do Aviador

Crédito da foto: Eduardo Maia

 
Por propositura do deputado estadual Ricardo Motta (PROS), a Assembleia Legislativa celebrou o Dia do Aviador em sessão solene na manhã desta terça-feira (20). A data é comemorada no dia 23 de outubro, quando o patrono da Força Aérea Brasileira (FAB), Alberto Santos Dumont, voou com seu 14 Bis, em 1906, em Paris.

“Nossa Aeronáutica mostra seu valor nas ações mais diversas, como as operações de ajuda humanitária de que participa em solo brasileiro e no mundo, levando a solidariedade, uma marca tão nossa, aonde for preciso. No RN, temos o privilégio de contar com a presença da Base Aérea de Natal (BANT). São 73 anos de atividades e bons serviços prestados ao nosso povo”, ressaltou o parlamentar.

Em nome da Força Aérea Brasileira e seus aviadores, o brigadeiro do Ar e comandante da 1ª Força Aérea, Hudson Costa Potiguara, recebeu a placa alusiva à data e agradeceu a honraria, citando a história da aviação no Brasil e a determinação de Santos Dumont, que inspira os aviadores. “Estamos todos de parabéns. Esses homens e mulheres de azuis que voam e fazem voar e que, com valores de soberania e democracia, vem tornando fortes as asas que protegem o Brasil”, disse.

Presidindo a sessão, o deputado Getúlio Rego (DEM) enalteceu a importância das Forças Armadas no Brasil e leu uma nota do deputado federal Rafael Motta (DEM) ressaltando a importância da aviação para o Rio Grande do Norte e do potiguar Augusto Severo, que teve relevante papel nos primórdios da engenharia aeronáutica.

Estavam presentes da sessão solene ainda, o presidente da Assembleia Legislativa, deputado Ezequiel Ferreira (PMDB), a deputada Cristiane Dantas (PCdoB), o deputado Carlos Augusto Maia (PTdoB), o coronel Araújo Lima, sub-comandante da Polícia Militar, o comandante do III Distrito Naval, Afrânio de Paiva Moreira Júnior, o chefe de Estado Maior da 7ª Brigada de Infantaria Motorizada, coronel José Girino Bezerra, o chefe do Estado Maior da Força Aérea, coronel Roberto Benzecry e o secretário municipal de Segurança e Defesa Social, Osório Jácome.   

segunda-feira, 19 de outubro de 2015

9/10/2015 17h20 - Atualizado em 19/10/2015 18h05

Eduardo Cunha diz que não renuncia à Presidência da Câmara

Documentos demonstram que ele tem contas não declaradas na Suíça.
'Esqueçam, não vou renunciar', afirmou deputado em entrevista.

Fernanda Calgaro Do G1, em Brasília
O presidente da Câmara, deputado Eduardo Cunha (PMDB-RJ), durante entrevista coletiva no Salão Verde (Foto: Gustavo Lima/Câmara dos Deputados)O presidente da Câmara, deputado Eduardo Cunha (PMDB-RJ), durante entrevista coletiva nesta segunda-feira (19) no Salão Verde da Casa (Foto: Gustavo Lima/Câmara dos Deputados)
O deputado Eduardo Cunha (PMDB-RJ) afirmou nesta segunda-feira (19) que não renunciará à presidência da Câmara. "Esqueçam, não vou renunciar", declarou.
Na última sexta-feira, documentos do Ministério Público da Suíça revelados pela TV Globo mostraram que Cunha é titular de contas em bancos na Suíça. Em março, em depoimento à CPI da Petrobras, ele afirmou que não tem contas no exterior. Cunha é alvo de uma representação no Conselho de Ética da Câmara dos partidos PSOL e Rede, que tentam cassar o mandato de deputado do presidente da Casa.
"Aqueles que desejam a minha saída têm de esperar o fim do mandato para escolher outro", disse Eduardo Cunha na entrevista.
Ele afirmou que se sente em condições de continuar na presidência da Câmara. "Tenho legitimidade para executar todos os atos da função [para] que fui eleito", declarou.
O presidente da Câmara voltou a se recusar a falar sobre as contas na Suíça – disse que isso cabe aos advogados – e reiterou o teor das notas divulgadas anteriormente, em que afirmou não ter contas no exterior nem ter recebido "qualquer vantagem".
O peemedebista negou se sentir isolado politicamente. Ele sustentou ainda que não precisa do apoio do PMDB para se defender.
"Eu não preciso que ninguém me ajude a fazer a minha defesa. A minha defesa será feita por mim mesmo e pelos meus advogados num segundo momento no foro apropriado", argumentou.
Conselho de Ètica
Sobre a representação no Conselho de Ética por suposta quebra de decoro parlamentar, Cunha disse que se trata de uma situação "técnica" e não política.
"Eu vou precisar provar exatamente o que me acusam para que aí possa a maioria do Conselho [de Ética] e do plenário [da Câmara], se satisfazer com as defesas que serão feitas. Isso não é uma situação política, é uma situação também técnica. Vou tratar também tecnicamente", disse.
Dilma
Cunha foi questionado sobre entrevista da presidente Dilma Rousseff na Suécia no fim de semana, na qual, ao comentar as provas da existência de contas de Cunha na Suíça, Dilma disse lamentar "que seja um brasileiro".
"E eu lamento que seja com um governo brasileiro o maior escândalo de corrupção do mundo", respondeu Eduardo Cunha na entrevista.
Votações na Câmara
O deputado também falou sobre suposta preocupação do governo com a pauta de votações na Câmara, afirmando que continuará trabalhando com a mesma "celeridade".
"Se o governo sofreu derrotas, [...) é porque não tem uma base em condições de dar esse quórum e vencer as votações", afirmou.
CPI da Petrobras
Cunha contestou ainda críticas de que os trabalhos da CPI da Petrobras, com fim previsto para esta semana, não deverão ser prorrogados a fim de poupar a ele próprio e a outros parlamentares que teriam se beneficiado do esquema de corrupção na estatal.
"Se a própria CPI não votou a sua prorrogação, não é o presidente da Câmara que vai fazer isso de ofício. (...) Não participei de nenhum acordo", disse.

domingo, 18 de outubro de 2015

CARTA À SENADORA FÁTIMA BEZERRA

                      "Roda mundo, roda gigante, roda moinho, roda peão..."
                                                  Chico Buarque

Excelentíssima   Senhora FÁTIMA BEZERRA
Senadora do Rio Grande do Norte

Proclama-se aos ventos que "o sonho acabou". São os apressados: aqueles que comem cru porque não sabem administrar o tempo. Já dizia um dos fundadores do PT no Estado, o poeta e escritor JOÃO RÉGIS CORTEZ DE LIMA: “No tempo não havia horas, porquanto é uma porta aberta para eternidade”.

E Vossa Excelência sabe muito bem, agora que foi eleita pelo povo potiguar a sua representante no Senado, quanto é difícil o caminho. Muitos desistiram, outros  ficaram  na estrada e poucos chegaram ao topo da montanha. Relembro alguns fatos para evitar o esquecimento:

1979 – abril. Começo do fim da Ditadura Militar. Explode a primeira greve do Magistério Potiguar. À frente da Associação dos Professores estava a professora IRACEMA BRANDÃO, que pertencia a velha guarda e não conhecia os novos métodos de luta sindical: GREVE. O Estatuto do Funcionalismo Público não permitia essa modalidade de luta. A greve continuou e se não teve ganhos materiais, teve imensos ganhos políticos: possibilitou a organização dos funcionários públicos, especialmente dos trabalhadores da Educação, que resultou no atual SINTE. Acompanhei tudo de perto porque fazia parte do Comando de Greve. Também estiveram nessa luta os Professores Vicente Barbosa, Egídio, Iara, Miudinho, Joaquim Gaspar (região do Serídó), José Antenor de Azevedo, Sara Lordão (in memoriam), Nalba Dantas, Erineide Lopes, seu Rodrigues, entre outros.
Foram mediadores entre o Governo e o Magistério os advogados Varela Barca e Hélio Galvão. Depois a Comissão Justiça e Paz ligada à Igreja Católica.
Veio o processo eleitoral e apresentamos uma chapa que foi derrotada pelo professor Manoel Lucena candidato oficial do Governo. Contudo, ganhamos experiência e na eleição seguinte o professor JOSÉ ANTENOR DE AZEVEDO foi eleito e passou a sofrer uma oposição ferrenha dos professores.  Na eleição seguinte vocês ganharam. As lutas travadas desde então foram muitas até chegarmos ao atual piso para o magistério, que representa um avanço para a categoria, mas precisa ser complementado por outras medidas: Escola de tempo Integral, bem equipadas, e pessoal motivado. Se o Brasil tivesse adotado esse modelo idealizado pelo professor DARCI RIBEIRO, a situação seria outra e nós teríamos ultrapassado a Coreia do Sul em todos os índices.

1989 - Desde então partimos para outras lutas: fui assessor do Instituto de Terras – ITERN (1989) onde participei da Comissão Central dirigida por Angel Gabriel Vivalle cidadão chileno que foi Ministro da Reforma Agrária do governo de Salvador Allende. Essa equipe   elaborava os projetos de Reforma Agrária (fazenda Hipólito, em Mossoró foi o primeiro a ser posto em prática na Nova República).
1990 – Estive na Secretaria de Governo e na Fundação da Gestão Pública Integrada assessorando a professora Marlusia Saldanha que tentou por em prática o sonho de uma Gestão Pública Integrada.
1991-1993 – Estive na Fundação Hélio Galvão oportunidade em que idealizei e coordenei o curso LITERATURA POTIGUAR: UMA VISÃO SINCRÔNICA,  destinado aos professores da rede pública.
1993 – Fui convocado pelo Poder Judiciário para organizar a sua memória. Dediquei 10 anos da minha vida a esse projeto, que resultou no Memorial Desembargador Vicente de Lemos: estão organizados os Acervos (fotográficos, bibliográficos, documental, utencilial, idumentarial,etc). Escrevi dois livros sobre esse assunto: História do Poder Judiciário do RN e Ministros Potiguares.
2006 – Junto com outros intelectuais (Anna Maria Cascudo, Manoel Onofre, Livio Oliveira, Racine Santos, Pedro Vicente, Carlos  Gomes, Nelson Patriota) ajudei a organizar     a União Brasileira de Escritores – UBE/RN, sendo eleito por três mandatos (2008-2009, 2010-2011 e 2012-2013) a presidência.
2015 –Retornei à Secretaria de Estado da Educação no dia 09 de Setembro estando lotado na Coordenadoria do Livro – CODESE. Na volta fui bem recebido, porém uma surpresa desagradável: não recebi o meu salário  do mês de Setembro e o de outubro fui informado que também não receberei porque tem um trâmite burocrático a ser seguido (isso é UM ABSURDO.SALÁRIO É ALIMENTO e só o Poder Judiciário pode sustar). Não sou iniciante no serviço público e sim fim de carreira.
 Pesa sobre os meus ombros a guarda de três netas, sendo duas do meu filho FAUSTO GOSSON que morreu por overdose de cocaína aos 28 anos de idade, deixando-me em profunda solidão. Também sou portador do Mal  de Parkinson há dez anos, tomando remédios caríssimos. Como o Estado não garante nada neste país, estou gastando em torno de R$ 1.500,00 com remédios. São medicamentos de uso contínuo. Sem eles não consigo andar.
Por fim, rogo a Vossa Excelência que interfira politicamente junto ao Governador para resolver essa questão uma vez que estou exaurido fisicamente pela doença.  Continuo  acreditando que o sonho não acabou e que os nossos inimigos não estão no poder.
Cordialmente,
EDUARDO GOSSON
E-MAIL:                eduardogosson115@gmail.com
Tel:                      9-8782-3660

segunda-feira, 12 de outubro de 2015

Cair na real – LRF e juros

Por Adriano Benayon | Brasília, 03/10/2015

O senador Cristovam Buarque divulgou mensagem em que manifesta preocupação com o risco de os gestores públicos, diante da crise e da queda da arrecadação, descumprirem a Lei de Responsabilidade Fiscal (LRF).
2. Referiu-se aos projetos de lei aprovados na Câmara e no Senado que acrescentavam despesas ao Orçamento da União. A presidente Dilma buscou impedir sua passagem, com 32 vetos, dos quais 26 foram mantidos pelo Congresso, mas seis foram rejeitados, o que elevará gastos.
3. Os que se preocupam com os déficits públicos alarmam-se com a situação, porquanto os déficits já vinham crescendo e, desse modo, tendem a aumentar ainda mais, também porque as receitas estão em baixa significativa.
4. Há que colocar os pingos nos is. A LRF não passa de instrumento destinado a acelerar o empobrecimento do Brasil, assegurando a perpetuação de sua condição de economia primarizada e de zona de extração de recursos naturais, para entregá-los a preço vil aos carteis transnacionais.
5. Trata-se de lei complementar, de maior hierarquia que as leis ordinárias, ditada pelo império angloamericano, via FMI. Data de 2000, quando FHC reinava na satrápia chamada Brasil.
6. Essa lei dá total prioridade ao pagamento dos juros da dívida pública, tanto no âmbito federal, como no dos Estados e municípios, os quais, com a federalização da dívida (lei 9.496/1997), se tornaram vassalos de absurdas taxas de juros e índices de correção monetária, que devem pagar à União. Esta ficou responsável pelo total das dívidas públicas.
7. As taxas de juros e os índices de correção monetária devidos pelos governos locais são semelhantes àqueles com os quais o governo federal provê estupenda acumulação de dinheiro em favor dos concentradores financeiros (banqueiros estrangeiros e locais, e demais rentistas, como as empresas transnacionais).
8. Desse modo, o Brasil tem perdido recursos que possibilitariam alçar sua taxa de investimentos produtivos (contando os do setor privado), a taxas de 35% do PIB, mesmo com proporcional crescimento do consumo.
9. Ora, se se endireitassem também as estruturas e infraestruturas, notadamente corrigindo a patológica desnacionalização da economia, não seria difícil progredir no ritmo observado na China dos últimos 30 anos.
10. Demonstremos, com base nas estatísticas do Tesouro Nacional, a quanto têm montado os recursos saqueados do Brasil, a título do “serviço da dívida pública”.
11. Somente de janeiro de 1995 – 1º ano após o plano Real, que proclamou a mentirosa estabilização monetária – até agosto de 2015, a dívida pública interna multiplicou-se 24 vezes, de R$ 135,9 bilhões (contando então as dívidas de estados e municípios) para R$ 3,83 trilhões. Isso significa que a dívida interna foi multiplicada por 28, no período.
12. Isso significa crescimento médio anual de 18,65% aa., decorrente da capitalização dos juros e da inflada correção monetária, ambos decretados pelo BACEN, para gáudio dos sistemas financeiros privados, mundial e local.
13. Desde a Constituição de 1988, os gastos com a dívida pública, atualizados monetariamente, superam em muito R$ 20 trilhões.
14. Se os gastos com a dívida interna, cujo montante passa de R$ 3,8 trilhões, continuarem crescendo com a taxa efetiva anual presente – aí nos 18% aa. – essa dívida subirá, em 30 anos, para 1/2 quatrilhão de reais. Um quatrilhão são mil trilhões: 1.000.000.000.000 x 1.000.
15. Na finança mundial, os derivativos voltaram a superar US$ 600 trilhões, como nas proximidades do colapso financeiro de 2007/2008. Agora já passam de US$ 1 quatrilhão.
16. Iludem-se grandemente os que acreditam nos bancos e em economistas das universidades famosas e das que as copiam, quando caem na conversa de que os juros são elevados para conter a inflação!
17. Ao contrário, o crescimento exponencial das dívidas, expressas em títulos, significa inflação ainda maior do que causaria a emissão de moeda, tão anatematizada pelos economistas “ortodoxos” (e pela opinião geral, por eles influenciada). Os títulos financeiros são dinheiro, como a moeda, e ainda turbinado pelos juros.
18. Um dia, a explosão da massa de títulos insuscetíveis de serem liquidados, leva a reformas monetárias. Então se consolida o poder absoluto dos concentradores, mesmo em relação aos cidadãos aparentemente abastados.
19. Imaginemos, num caso limite, que o patrimônio financeiro dos grandes concentradores atinja vários quatrilhões de dólares e que individualmente tenham, em média, ativos de 100 trilhões de dólares.
20. Ao acontecer o “saneamento”, a reforma monetária faz que um novo dólar valha um milhão dos antigos. Então, um oligarca que acumulou US$ 100 trilhões, ficará com 100.000.000 (cem milhões) de dólares novos. Já um empresário, dono de patrimônio de US$ 100 milhões, ficará reduzido a 100 dólares novos. Que chance tem alguém com 100 unidades de moeda, diante de quem tem 100 milhões delas?
21. A reforma mostrará como o empresário empobrece, enquanto a composição dos juros e as demais jogadas do mercado financeiro fazem expandir os ativos dos banqueiros e demais concentradores.
22. Torna-se, assim, abissal a diferença de poder econômico entre estes e os demais mortais, mesmo os ricos, cuja maioria, como também a classe média, é convertida às ideologias de interesse dos concentradores e, assim, julga normais as manipulações de juros, câmbio e outras, praticadas pelo sistema financeiro.
23. No Brasil, esse sistema é criminosamente privilegiado pela fraude no artigo 166, § 3º, II, b), e pela sacralização suicida dos gastos com juros injustificados, assegurada pelo art. 164. Esse confere exclusividade ao Banco Central (BACEN), para emitir moeda – somente para servir os bancos – colocando o Tesouro Nacional à mercê destes.
24. Por lei, o BACEN está subordinado ao governo federal. Portanto, os governantes que se têm sucedido, deveriam explicar por que o BACEN age em favor da finança dos concentradores privados estrangeiros e locais e, em detrimento da economia e da sociedade.
25. Criaram um círculo vicioso: a dívida pública cresce devido a despesas financeiras, priorizadas pela LRF. A perspectiva de déficits orçamentários serve de desculpa para elevarem mais os juros. Daí minguam os investimentos produtivos e sociais da União e dos entes federativos.
26. É, pois, incrível que a LRF seja defendida como sagrada por tanta gente, até com o primarismo flagrante na mensagem de Cristovam: “a revogação da Lei de Responsabilidade Fiscal é o mesmo que revogar as quatro operações aritméticas, é dizer que dois mais dois é igual a cinco.”
27. Para o senador, o brasileiro está acostumado a querer receber aposentadoria jovem, e a crise estrutural exige reforma da Previdência. Traduzindo o jargão da “esquerda” reacionária: ”que assalariados e aposentados paguem a conta; não se toque nos trilhões de reais de juros para os bancos!” É de estarrecer.
28. Conquanto as despesas financeiras não sejam a causa única do subdesenvolvimento acelerado, o vulto delas comprova, de sobra, seu peso na ruína financeira do País. Acarretam também a miséria da estrutura produtiva e social, além de reforçarem a tirania dos oligarcas concentradores sobre o sistema político.
29. Há mais causas da degringolada. A principal delas, inclusive por ser a fonte da dívida, é a desnacionalização da economia, com os carteis transnacionais subsidiados pela política econômica, aplicando preços absurdos aos consumidores, privando o País de tecnologias próprias, e transferindo quantias estratosféricas ao exterior.
30. Os déficits nas transações correntes com o exterior – mesmo com o País a exportar quantidades brutais e crescentes, via agronegócio e mineração – cresceram para valor próximo a US$ 100 bilhões anuais, e não mostram sinais de cair muito, nem com a depressão e com o dólar a 4 reais.
***
Adriano Benayon é doutor em economia pela Universidade de Hamburgo e autor do livro Globalização versus Desenvolvimento.

segunda-feira, 5 de outubro de 2015

segunda-feira, 5 de outubro de 2015

VALE A PENA LER DE NOVO: Quer ver o Rei? Roberto Carlos estará em João Pessoa dia 21 de Outubro


Quem informa é a agenda cultural do Jornal da Paraíba do domingo dia 22 de setembro.
O Rei Roberto Carlos fará show em João Pessoa no dia 21 de Outubro, ao lado de sua Orquestra e Coral.
De acordo com a agenda cultural do JP, os ingressos estão à venda da seguinte forma:
Pista meia entrada = 50 reais.........Pista inteira = 100 reais...........Camarote individual = 120 reais.......... Cadeira numerada amarela = 350 reais...........Cadeira numerada azul = 500 reais .......... Mesa camarote = 1600 reais (para 4 pessoas)..............Camarote prive = 5 mil reais (para 10 pessoas).
A agenda cultural do JP, conclui também que, o show do Rei na capital paraibana em Outubro, será realizado no Domus Hall do Manaíra Shopping.

sexta-feira, 2 de outubro de 2015

quinta-feira, 1 de outubro de 2015


Natal, o patinho feio




. João Felipe da Trindade (jfhipotenusa@gmail.com)
Matemático, sócio do IHGRN e do INRG.
Jerônimo de Albuquerque, quando recebeu a Fortaleza dos Reis Magos, tinha uma missão a cumprir: apaziguar os índios a fim de se poder instalar a cidade do Rio Grande. Em 25 de dezembro de 1599, dia do Natal de Jesus Cristo, a nossa cidade foi inaugurada.
Mas o berço da nossa cidade parece que não atraia as pessoas que vinham para cá, tendo muitas delas moradias nas redondezas. Os relatos dos nossos visitantes do passado não eram nada elogiosos, começando com Nassau, que já encontrou a cidade destruída pelos embates aqui travados, e sem nenhuma melhoria por parte de seus comandados. Alguns moradores solicitaram na época da presença dos batavos por aqui a construção de uma nova cidade. Tollenare e Koster também não fizeram nenhum elogio maior nas suas anotações.
Em um dos relatórios dos holandeses sobre o Rio Grande, estava escrito: Já teve uma cidade chamada Cidade do Natal, situada a uma légua e meia do Castelo Ceulen, rio acima, mas está totalmente arruinada, pelo que foi consentido aos escabinos e moradores levantar uma nova cidade em Potigi, pois é terreno fértil e melhor situado para os seus habitantes. Deverão construir de início um Paço da Câmara para aí terem o seu tribunal de justiça.
Koster, em 1810, quando aqui esteve, escreveu: Cheguei às 11 horas da manhã à cidade do Natal, situada sobre a margem do Rio Grande ou Potengi. Um estrangeiro que, por acaso, venha a desembarcar nesse ponto, chegando nessa costa do Brasil, teria uma opinião desagradável do estado da população nesse País, porque, se lugares como esse são chamados cidades, como seriam as vilas e aldeias? Esse julgamento não havia de ser fundamentado e certo porque muitas aldeias, no Brasil mesmo, ultrapassam  esta cidade. O predicamento não lhe foi dado pelo que é, ou pelo que haja sido, mas na expectativa do que venha a ser para o futuro.
Tollenare, que viveu em Recife, nos anos de 1816 e 1817, escreveu: Natal, conquanto capital, é ainda assaz insignificante; conta apenas 700 habitantes; mas, espera-se que chegará a um alto grau de prosperidade, porque o seu porto, que pode receber navios de 150 toneladas é excelente e próximo das regiões cultivadas.
Sendo um centro de defesa de nossa Costa, o Rio Grande do Norte e sua cidade, não merecera,, por isso, maior atenção, principalmente por sua dependência com a Bahia, Pernambuco e Paraíba.
Mais adiante, ainda no século XIX, quiseram mudar novamente a capital do Rio Grande. É o que encontramos no relatório com que abriu a 1ª sessão ordinária da Assembleia Legislativa Provincial do Rio Grande do Norte o Exmo. Sr. Governador Dr. Henrique Pereira Lucena, no dia 5 de outubro de 1872,  quando falou sobre a construção da estrada de ferro
“No relatório do meu antecessor encontrareis, em apenso, cópia do contrato que em 8 de junho último celebrou com o engenheiro da província João Carlos Greenhalgh e o major Affonso de Paula de Albuquerque Maranhão, em virtude de autorização que lhe foi concedida pela lei nº 630 de 26 de novembro de 1870, para a construção de uma estrada de ferro pelo sistema –Tram-way, que partindo desta capital se dirija ao vale do Ceará-mirim, passando pelo de S. Gonçalo, e de uma ponte de ferro de sistema misto sobre o Rio Potengi no lugar Refóles.
Conquanto o referido contrato esteja somente dependente de vossa aprovação na parte relativa à ponte, todavia  entendo que esta circunstância não impede que o aprecieis sobre todas as suas faces, a fim de verificardes, como é do vosso dever, se nele foram ou não consultados e devidamente protegidos os direitos e interesses  da província, principalmente no tocante à mudança da capital, que já tem preocupado mais de uma administração e ao próprio governo geral, e que em um contrato, como o de que se trata, não devia ser esquecida, mas sim tomada na maior consideração, e sujeita a um detido e refletido exame.
Pelos dados estatísticos que vos tenho apresentado, vê-se que a província do Rio Grande do Norte não é tão pobre, como à primeira vista parece, e compreende-se facilmente que em um futuro mais ou menos remoto que sejam removidas as causas primordiais do atraso de sua agricultura e comercio, facilitando-se-lhe, além disso, os meios de transporte, de que tanto precisa.
Posto que com mais de 80 léguas de costa arenosa e estéril possui ela, no entanto, terrenos de uma fertilidade assombrosa, apropriados à cultura de cana do açúcar, fumo, algodão e mesmo do café, que produz maravilhosamente nos lugares denominados – Extremoz e Arêz.
A exportação do açúcar e do algodão faz-se já em larga escala, competindo o primeiro desses produtos, muito superior ao da Paraíba, com o de Pernambuco, nos mercados estrangeiros;  outranto, porém, não pode dizer-se do fumo, que muito mal cultivado, é ainda pessimamente preparado, assim como do café, cuja cultura nem ao menos foi ensaiada.
É realmente para admirar, que uma província, que noutras áreas adquirira os foros de criadora, e que no tempo da guerra da restauração holandesa servia de celeiro à cidade do Recife, que ela extraía o gado e farinha de mandioca, de que precisava para sustento de sua população faminta, mande hoje aos talhos de sua capital número mais que limitado de gado bovino, magro, cansado e por preço elevadíssimo, chegando a importar diretamente das província limítrofes e algumas vezes mesmo do Rio de Janeiro a farinha precisa para seu consumo.
Além da geral incúria e falta de iniciativa de seus habitantes (é forçoso dizê-lo), cumpre apontar como uma as principais causas desse estado desanimador, em que se acham todas as fontes de produção e riqueza da província, a péssima posição topográfica de sua capital, o pior lugar, sem contestação alguma de toda a província, quer como cidade igual a outras do interior, quer como sede principal da autoridade e centro produtor donde se irradiem para as extremidades a civilização, comércio, indústria e artes.
Situada na margem direita do Potengi, ou Rio Grande, a uma légua pouco mais ou menos de sua foz, acha-se a cidade do Natal, por assim dizer, comprimida e asfixiada, do lado do Sul e Leste por alteroso morros de areia, mais ou menos movediça e improdutiva, e do lado de Este por um longo e imenso lençol d’água, que para o oceano conduz o Potengi.
O seu pequeno comércio acha-se inteiramente avassalado ao da praça de Pernambuco, e mais ou menos sujeito ao de algumas povoações circunvizinhas, onde a facilidade do transporte tem tornado mais cômodo e menos dispendioso o tráfico mercantil.
É-lhe pouco abundante a água potável, e faltam-se absolutamente as estradas regulares e fáceis que a ponham em comunicação com o interior da província  da qual se acha, por assim dizer sequestrada.
No exterior, em um raio de mais de duas léguas quase nenhuma cultura; no interior causa dó ver as suas ruas estreitas e tortuosas, compostas ela mor parte de palhoças, cercadas de matos, verdadeiras capoeiras, e de imundícies.
A ideia, pois, da transferência da capital para um outro local, para a planície denominada –Carnaubinha, por exemplo, fronteira a Guarapes, é por demais transcendente e de necessidade indeclinável, visto ser o único ponto conhecido que mais vantagens oferece para isso.
O lugar ali é inteiramente plano na extensão de uma a duas léguas quadradas; indo suave e gradualmente subindo para o interior das terras, a ponto de se tornar quase insensível o pendor do terreno. Acham-se à pequena distância, quase à mão, o barro, a areia, a cal e a madeira necessária para a construção, além de sofrível pedra de cantaria e pedra própria para o calçamento à meia légua pouco mais ou menos de distância. Possui considerável abundancia d’água potável da melhor qualidade, notando-se uma lagoa ou poço na Carnaubinha, uma fonte d’água cristalina e dois fortes riachos perenes em Guarapes, além do caudaloso rio Pitimbú, que corre à menos de uma légua distante; o Cajupiranga não menos caudaloso, poucas braças mais longe, e entre ambos a formosíssima lagoa Parnamirim.
Mudando para aquele lugar a capital, e lançada sobre o rio uma pequena ponte de madeira que, quando muito poderá custar uns 20:000$000, ficará a cidade admiravelmente situada, e para melhor me exprimir, colocada no centro de um vasto perímetro constelado de cidades e povoados mais ou menos distantes, tais como S. José e Ceará-mirim à cinco léguas, aproximadamente, cada uma com estradas traçadas em terreno plano e consistente; Extremoz, com sua extensa e piscosa lagoa; S. Gonçalo, Macaíba, Santo Antonio, Utinga, Ferreiro Torto e Pitimbú; e finalmente a cidade do Natal a três léguas por água, podendo muitas dessas povoações servi-lhe  de arrabaldes.
Além disso, convém notar que o tráfico mercantil em Guarapes, em tempo em que ali ainda residia o major Fabrício, lutou com vantagem  com o do Natal e sobrepujou o da Macaíba, apesar de ser Fabrício negociante único naquele lugar; afluindo de todos os lados compradores  aos seus armazéns, até mesmo do sertão da Paraíba e desta capital.
Como sabeis, da sua foz até o ponto de Guarapes, forma o Potengi uma verdadeira doca natural de mais de três léguas de extensão, e de profundidade mais ou menos considerável, servindo-lhe de segundo quebra-mar a ponta do morro e os bancos de areia denominados – As velhas - , fronteiros ao porto da Redinha; o que o torna de incontestável superioridade sobre o da Paraíba, e quiçá sobre o de Pernambuco, embora careça de melhoramentos.
Com uma profundidade variável de 3 a 7 pés acomodou o porto Guarapes por vezes galeras de mais de 500 toneladas de arqueação. Somente no exercício de 1869 a 1870 carregaram naquele porto para fora do Império vinte navios de diferentes lotações; ombreando desta forma com o porto do Natal, que dentro do mesmo período carregou vinte e um.
Como vereis pelo mapa, em apenso, a diferença entre as medidas dos carregamentos dos dois sobreditos portos nos dez últimos exercícios andou por 27/10 % (?); diferença que só por aí constitui um dos melhores argumentos a favor do Guarapes, principalmente se atender-se que até 1868 a casa comercial Fabrício & C. lutou com sérios tropeços, que posteriormente foram removidos, e que no penúltimo exercício de 1870 a 1871 resolveu ela acabar com todo o negócio por motivo de moléstia de seu proprietário.
Com relação à estrada de ferro contratada, a primazia de Guarapes sobre Natal não sofre discussão.
O capital orçado para a estrada de que se trata, é de 800:000$000 e a garantia que a província tem de pagar anualmente, na razão de 6% é de 48:000$000. Ora, se a capital for transferida para Guarapes a estrada custará apenas metade da quantia orçada, isto é, 400:000$000, descendo também a garantia à metade, que vem a ser 24:000$000. A ponte no porto do Natal, segundo o contrato, custará 250:000$000, enquanto que a que se fizer no de Guarapes não excederá talvez de 20:000$000.
Ainda com relação a ponte, nota-se que não devendo ela ser movediça, mas sim fixa, segundo o contrato, a navegação do rio por vapores e navios de alto bordo, na distância de três léguas, se tornará impossível; porquanto o rio ficará literalmente fechado para tais embarcações; inconveniente este que não se dará no porto de Guarapes, porque, desse ponto para cima, o rio só pode ser navegado por barcaças e canoas.
Considere-se mais, que a estrada de ferro devendo acompanhar uma as margens do rio, e sendo ambas alagadas, incultas e desabitadas, nenhum lucro dará aos empreiteiros ou à companhia, que se organizar, principalmente nos primeiros dez ou vinte anos; além de que quase todos os produtos  que atualmente tem saída pelo porto da Macaíba continuarão a vir por água para esta cidade,  por ser esta espécie de transporte mais cômoda e barata. Colocada, porém, a capital em Guarapes, e devendo dali partir a estrada de ferro, esta percorrerá uma zona toda povoada e cultivada, e nenhuma concorrência sofrerá da parte do rio para o transporte das mercadorias, que tiveram de ser conduzidas àquele mercado.
Eis, Senhores, o que me cumpria dizer-vos com referência a um assunto de tanta magnitude, e a que se liga tão estreitamento o futuro da província. Considerai, que são já 273 anos que a cidade do Natal é a capital da província. E que o seu aspecto é o de uma vila insignificante e atrasadíssima do interior.
Considerai, que a província é um corpo sem cabeça, e que é devido exclusivamente a esta circunstância que ela se conserva à retaguarda de todas as suas irmãs.
Cumpre arrancá-la desse estado de abatimento e de torpor. Não vos entregueis à inércia e ao indiferentismo, ao contrário, reagi com todas as vossas forças contra estas duas traças destruidoras de todo o progresso.